O aumento do preço do enxofre no mercado internacional acendeu um alerta não apenas para a indústria brasileira de fertilizantes fosfatados, mas também para todas as indústrias químicas nacionais que dependem do enxofre e, consequentemente, do ácido sulfúrico produzido a partir do enxofre. Com quase a totalidade do insumo utilizado no país vindo do exterior, o aumento das cotações eleva os custos de produção e pode pressionar o preço dos fertilizantes justamente no período que antecede o plantio da próxima safra.
Assista a entrevista na íntegra no link: https://globoplay.globo.com/v/14905259
O assunto foi tema de reportagem da TV Globo, que contou com a participação de Felipe Coutas, Country Manager da Itafos. Durante a entrevista, o executivo explicou os fatores estruturais e conjunturais que levaram à alta do enxofre e destacou os possíveis impactos para a indústria e para os produtores rurais.
Coutas explicou que o preço do enxofre subiu de forma significativa nos últimos anos. A Itafos, por exemplo, chegou a pagar cerca de US$ 90 por tonelada do insumo no Brasil alguns anos atrás. Atualmente, a cotação real está na faixa de US$ 1.250.
O enxofre é uma matéria-prima importante para a produção de ácido sulfúrico, fundamental na produção de fertilizantes e também está presente em outras cadeias industriais. Entre suas aplicações estão o tratamento e fluoretação de água, a produção de baterias de carros, papel e celulose, tintas e pigmentos, dentre outras diversas aplicações.
De acordo com Coutas, três fatores contribuíram para a elevação dos preços internacionais: a transição energética que provocou um aumento relevante do consumo de enxofre pela Indonésia; a guerra entre Rússia e Ucrânia, alterando a dinâmica do mercado internacional com a Rússia deixando de ser exportadora de enxofre e passando a competir no mercado como importadora; e por último, o conflito no Oriente Médio, afetando a principal rota mundial de escoamento do produto pelo Estreito de Ormuz.
No caso dos fertilizantes, o impacto é relevante porque o enxofre é utilizado na produção de ácido sulfúrico, que integra processos industriais essenciais à fabricação do fertilizantes fosfatados como SSP, TSP, MAP e ácido fosfórico.
Setor negocia subvenção para o enxofre
Diante da pressão sobre os custos, entidades da indústria e o Sinprifert (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes) passaram a negociar com o governo federal uma subvenção para a compra de enxofre.
A proposta apresentada prevê que o governo participe do custo do insumo quando o preço ultrapassar determinado limite.
“O pedido é que haja uma subvenção ao ultrapassar 500 dólares”, explicou Coutas na reportagem. A proposta prevê uma participação do governo equivalente a 85% do valor que exceder esse patamar.
A medida, como explicou o country manager da Itafos, não deve ser interpretada apenas como uma ajuda exclusiva à indústria de fertilizantes, mas para preservar o próximo ciclo industrial de produção no Brasil, que vai além do campo, como nos demais setores dependentes do ácido sulfúrico.
A preocupação no campo foi confirmada pelo diretor-executivo da Aprosoja, Leonardo Machado, que falou que os produtores precisarão saber gerenciar os custos da produção por conta do aumento do preço do adubo.
Segurança de abastecimento ganha importância
O cenário reforça a importância de discutir a segurança do abastecimento de matérias-primas estratégicas para a indústria brasileira.
A forte dependência de fornecedores internacionais expõe vulnerabilidades que estão fora do controle das empresas brasileiras, como conflitos, mudanças na demanda de grandes consumidores e alterações nas principais rotas comerciais.
Para o setor de fertilizantes, garantir condições para manter a produção torna-se especialmente importante diante da necessidade de abastecer uma agricultura que depende de nutrientes para manter seus níveis de produtividade.
I-ACTIVE: alternativa para o setor
Produzido no Brasil pela Itafos, o I-Active é um fosfato natural reativo de origem sedimentar, desenvolvido a partir da rocha fosfática extraída em Arraias, no Tocantins.
Seu diferencial está na elevada reatividade da matéria-prima e na capacidade de disponibilizar fósforo de maneira gradual no solo. O produto possui 12% de P₂O₅ total, além de cálcio e silício, e apresenta mais de 90% de disponibilidade do fósforo em até três safras.
Em um momento em que produtores podem reduzir o uso de fertilizantes por causa dos custos, a eficiência da aplicação passa a ser ainda mais importante. A questão deixa de ser apenas quanto custa uma tonelada de fertilizante e passa a envolver quanto fósforo colocar no solo.
Nesse cenário, o I-Active apresenta uma característica estratégica: não depende de acidulação com ácido sulfúrico para disponibilizar o fósforo.
Isso reduz a exposição do produto a uma etapa específica da cadeia internacional de matérias-primas e amplia as alternativas disponíveis para o agricultor brasileiro.



