A dependência brasileira de fertilizantes importados voltou ao centro do debate sobre a competitividade do agronegócio. Em carta aberta divulgada em 13 de outubro, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas patafosra Fertilizantes (Sinprifert) cobrou o fortalecimento da produção nacional.
O sindicato estima que o Brasil destinou R$ 1,4 trilhão, em valores atuais, à compra de fertilizantes importados nos últimos 30 anos. Os produtos vindos do exterior representam cerca de 85% do consumo nacional, segundo a entidade.
O alerta reforça a importância de ampliar a capacidade produtiva brasileira e diversificar as fontes de abastecimento. Nesse cenário, a Itafos, com operação industrial em Arraias, no Tocantins, participa da cadeia nacional de fertilizantes fosfatados, contribuindo para a oferta de insumos produzidos no país.
A ampliação da produção doméstica é um dos caminhos para reduzir a exposição do agronegócio às oscilações do mercado internacional, aos custos logísticos e às tensões geopolíticas que afetam o comércio de matérias-primas e fertilizantes.
Dependência de fertilizantes importados pressiona o agronegócio
A importância dos fertilizantes para a agricultura brasileira torna o abastecimento desses insumos uma questão estratégica. O fósforo, um dos nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas, participa de processos como a transferência de energia, o crescimento das raízes e a formação de estruturas reprodutivas.
Embora seja um dos principais produtores mundiais de alimentos, o Brasil depende significativamente das importações para atender à demanda por fertilizantes. Essa exposição deixa produtores rurais sujeitos a variações cambiais, mudanças nas condições de oferta e aumentos nos preços internacionais.
A situação ganha relevância quando conflitos e restrições logísticas afetam o transporte de insumos e matérias-primas.
O problema não se limita ao preço pago pelo produtor. A disponibilidade dos insumos também influencia o planejamento das compras, o manejo das lavouras e os custos de produção. Fortalecer a indústria brasileira, portanto, significa ampliar as alternativas de fornecimento e a capacidade de resposta do país diante de mudanças no cenário internacional.
Como a Itafos contribui para a produção nacional
Um dos diferenciais da Itafos é a operação verticalizada, que integra etapas da cadeia produtiva, desde a extração da rocha fosfática até a fabricação de fertilizantes. O complexo de Arraias reúne estruturas de mineração, beneficiamento mineral e produção industrial, incluindo unidades de ácido sulfúrico, acidulação e granulação.
Essa integração permite à empresa acompanhar diferentes etapas do processo produtivo, desde as características da matéria-prima mineral até sua transformação em produtos destinados à agricultura. Também reduz a necessidade de adquirir de terceiros toda a matéria-prima fosfática já processada, embora a operação continue exposta a custos externos, como energia, logística e enxofre utilizado na produção de ácido sulfúrico.
O modelo ganha relevância em um mercado internacional sujeito a variações de preços, tensões geopolíticas e gargalos logísticos. Ao manter parte estratégica da cadeia produtiva no Brasil, a Itafos contribui para fortalecer a estrutura industrial nacional e ampliar as alternativas de fornecimento de fertilizantes fosfatados.
Produção nacional também gera empregos e movimenta a economia
O fortalecimento da indústria de fertilizantes tem efeitos que ultrapassam o abastecimento agrícola. A atividade industrial movimenta fornecedores, serviços especializados, transporte e outras atividades econômicas ligadas à produção.
Em Arraias, a operação da Itafos integra a cadeia mineral e industrial à economia do Tocantins. A manutenção dessas atividades contribui para a demanda por mão de obra e serviços locais, além de gerar oportunidades profissionais em áreas relacionadas à mineração, à operação industrial, à manutenção e à logística.
O fortalecimento da produção doméstica também ajuda a manter no país parte da atividade econômica associada ao fornecimento de insumos agrícolas. É um dos pontos levantados pelo Sinprifert em seu apelo por mais investimentos na indústria brasileira: ampliar a capacidade produtiva nacional significa desenvolver fábricas, empregos e conhecimento industrial no próprio país.
I-Active amplia as alternativas
Além da integração industrial, a Itafos investe em soluções que ampliam as opções de manejo nutricional disponíveis ao produtor. Uma delas é o I-Active, fertilizante à base de fosfato natural reativo produzido a partir da rocha fosfática da empresa em Arraias.
O produto se diferencia por não depender do mesmo processo de acidulação empregado na fabricação de fertilizantes fosfatados convencionais, reduzindo sua dependência de ácido sulfúrico. Essa característica ganha importância em períodos de pressão sobre o mercado internacional de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação desse ácido.
A alternativa não elimina a dependência brasileira de fertilizantes importados nem substitui universalmente as fontes convencionais de fósforo. Seu papel é ampliar as possibilidades de escolha e oferecer uma solução com características próprias de disponibilização do nutriente.
Por ser um fosfato natural reativo, o I-Active disponibiliza fósforo gradualmente, e seu desempenho depende de fatores como as características do solo, a cultura e as condições de aplicação. A recomendação deve considerar a estratégia de adubação e a avaliação técnica de cada sistema produtivo.
Ao diversificar seu portfólio, a Itafos contribui para ampliar as alternativas nacionais de fertilização, inclusive com produtos menos expostos a determinadas matérias-primas químicas importadas.
Segurança de abastecimento exige produção e inovação
A redução da dependência externa de fertilizantes é um desafio estrutural que demanda investimentos, competitividade, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico. Não se trata apenas de produzir mais, mas também de diversificar as fontes de nutrientes e desenvolver soluções adequadas às condições da agricultura brasileira.
Em um país cuja competitividade no mercado global de alimentos depende também do acesso a fertilizantes, fortalecer a produção doméstica é uma estratégia de longo prazo. Ampliar a capacidade industrial e diversificar as tecnologias disponíveis são caminhos para tornar o abastecimento mais resiliente e reduzir a vulnerabilidade do agronegócio às oscilações internacionais.


