Em um cenário de maior pressão sobre os custos dos fertilizantes, a origem do minério utilizado na fabricação dos fosfatados ganha importância para o produtor rural. Em entrevista à Rádio Cultura FM, de Luís Eduardo Magalhães (BA), Roberto Barretto, diretor comercial da Itafos, explicou como as características geológicas da rocha utilizada pela empresa influenciam o processo de produção e o consumo de ácido sulfúrico.
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A entrevista foi realizada em um momento de atenção no mercado internacional de fertilizantes, especialmente em relação ao enxofre, matéria-prima utilizada na produção do ácido sulfúrico empregado na fabricação de fertilizantes fosfatados. Barretto explicou que a elevação dos custos dessa cadeia torna relevante avaliar não apenas o preço final do fertilizante, mas também a tecnologia e a matéria-prima utilizadas em sua produção.
A diferença começa na origem do minério
De acordo com o diretor comercial da Itafos, grande parte dos minérios no Brasil utilizados tradicionalmente na produção de superfosfato simples tem origem vulcânica. Nesse caso, o processamento exige maior utilização de ácido sulfúrico para tornar o fósforo disponível.
A Itafos trabalha com uma rocha de origem sedimentar, formada pela sedimentação de matéria orgânica ao longo de milhares de anos. Essa característica confere ao minério uma solubilidade natural elevada.
“O nosso minério não é de origem vulcânica, é de origem sedimentar, o que traz uma solubilidade muito mais rápida no solo” — Roberto Barretto, diretor comercial da Itafos.
Essa característica interfere diretamente no processo industrial. Na entrevista, Barretto explicou que, enquanto a produção convencional de uma tonelada de superfosfato simples pode demandar entre 380 e 400 quilos de ácido sulfúrico, por tonelada, a tecnologia utilizada pela Itafos permite trabalhar com cerca de 200 quilos por tonelada, o que representa uma redução no consumo de ácido sulfúrico e pode contribuir para maior eficiência do processo.
Menor dependência do ácido sulfúrico
Nesse contexto, a possibilidade de utilizar um minério com maior solubilidade natural permite reduzir a quantidade de ácido necessária durante o processamento.
Para o produtor, a discussão deixa de ser exclusivamente sobre o preço por tonelada do fertilizante. Também passa a envolver a quantidade de nutriente efetivamente disponibilizada, a eficiência agronômica e a estrutura de custos necessária para produzir aquele fertilizante.
Três opções para diferentes necessidades
A Itafos apresentou na entrevista três linhas de produtos fosfatados, desenvolvidas para diferentes situações de manejo.
O I-Active é um fosfato natural reativo indicado para situações como abertura de áreas ou manutenção dos níveis de fósforo em áreas que já apresentam disponibilidade adequada do nutriente. Barretto lembrou que a solubilidade é próxima de 50% no primeiro ano e liberação gradual ao longo dos anos seguintes.
Outra alternativa apresentada foi o Superforte Duo, parcialmente acidulado disponível na versão farelada e o na granulada, o Superforte Gran. Os produtos fornecem fósforo, cálcio e enxofre e tem como característica a disponibilização do fósforo na primeira safra.
A escolha entre as formulações também pode considerar os equipamentos disponíveis na propriedade. O produto farelado pode ser utilizado por produtores que trabalham com esse sistema de aplicação, enquanto a versão granulada permite maior facilidade de distribuição e otimização operacional.
Escolha do fornecedor também entra no planejamento
Outro ponto destacado na entrevista foi a importância de conhecer a origem e o processo de fabricação do fertilizante antes da compra.
Em um mercado pressionado por custos, o produtor pode buscar alternativas de menor preço. Para Barretto, porém, é importante avaliar também quem produz o fertilizante, quais matérias-primas são utilizadas e como funciona o processo industrial.
“É muito importante que o produtor visite as indústrias, entenda o processo das indústrias e tenha mais ferramentas para saber escolher uma empresa confiável”, afirmou o diretor comercial.
A proximidade da unidade industrial com o Oeste da Bahia também foi apresentada como um fator relevante. A fábrica da Itafos está localizada em Arraias (TO), a aproximadamente 200 quilômetros de Luís Eduardo Magalhães (BA), enquanto a empresa mantém escritório comercial na cidade.
O que o produtor deve observar
A entrevista mostra que a escolha de um fertilizante fosfatado envolve uma combinação de fatores: características do solo, disponibilidade de fósforo, objetivo da adubação, forma de aplicação, eficiência agronômica, custo e segurança de fornecimento.
Nesse cenário, conhecer a origem do minério utilizado na fabricação pode ajudar o produtor a compreender melhor por que diferentes fertilizantes apresentam estruturas de custo distintas.
A utilização de uma rocha sedimentar com maior solubilidade natural é justamente um dos elementos que permitem desenvolver alternativas aos produtos convencionais e reduzir a dependência de ácido sulfúrico no processo industrial.
Mais do que comparar apenas o preço da tonelada, a recomendação apresentada na entrevista é avaliar o conjunto: origem do minério, tecnologia de produção, disponibilidade do nutriente, eficiência agronômica, logística e adequação ao sistema de aplicação da propriedade.
A Itafos mantém uma unidade industrial em Arraias (TO) e escritório comercial em Luís Eduardo Magalhães (BA), oferecendo atendimento técnico e comercial aos produtores da região.
E você já sabe, se é fosfatado, é Itafos.



